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3/01/2011

2011 será o Ano Internacional dos Afrodescendentes

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, fez um apelo para que a comunidade internacional se empenhe em garantir aos afro-descendentes direitos fundamentais como a saúde e a educação, no lançamento oficial do Ano Internacional dos Afrodescendentes - 2011.

“Vamos todos intensificar os nossos esforços para assegurar que os povos afrodescendentes possam gozar de todos os seus direitos”, afirmou Ban Ki-moon na sexta-feira, em Nova York. Homenagear os povos de origem africana foi uma iniciativa da Assembleia-Geral da ONU, em reconhecimento da necessidade de se combater o racismo e as desigualdades econômicas e sociais.

Os afrodescendentes estão entre as comunidades "mais afetadas pelo racismo" e "enfrentam demasiadas vezes restrição de acesso a serviços básicos, como saúde e educação de qualidade ", afirmou o secretário-geral da ONU. "A comunidade internacional não pode aceitar que comunidades inteiras sejam marginalizadas por causa da sua cor de pele", afirmou.

Ban lembrou ainda das metas de integração e promoção da equidade racial estabelecidas pelos países-membros da ONU na Conferência de Durban, em 2001. O compromisso foi reiterado no ano passado, na Conferência de Revisão de Durban, realizada entre 20 e 24 de abril de 2009 em Genebra (Suíça).

 
Mais da metade de população brasileira tem ascendência africana. Segundo dados do IBGE de 2009, 51,1% dos brasileiros se reconhecem como "pretos" ou "pardos". Com a segunda maior população negra do planeta (e primeira fora do continente africano), a missão do Brasil na ONU congratulou a celebração do Ano Internacional dos Afrodescendentes, como “uma ocasião para chamar atenção para as persistentes desigualdades que ainda afetam esta parte importante da população brasileira”.
2/26/2011

Projeto social resgata autoestima de comunidade quilombola

O projeto ‘Resgate da Identidade do Povo do Brejão dos Negros - Perspectiva do Ser Quilombola`, desenvolvido pelo Governo de Sergipe através da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social (Seides), encerrou a primeira etapa da capacitação no último sábado, (12), com um Festival Cultural. A comunidade realizou exposição do artesanato com direito a apresentação de grupos folclóricos e comidas típicas da região, além de assistir a um vídeo-documentário sobre os anos de luta e conquistas do povo de Brejão dos Negros.
De acordo com a diretora do Departamento de Renda e Cidadania (DRC), Heleonora Cerqueira, o encerramento do projeto vai acontecer na primeira quinzena de março, na Seides, quando será lançada uma cartilha que conta toda a história povo de Brejão dos Negros. "Todos que participaram do projeto vão estar presentes no lançamento da cartilha. É mais um material sobre a história dos quilombos em Sergipe. A cartilha deverá ser distribuída nas escolas da rede estadual", ressaltou.

Para Antônio Oliveira, coordenador Estadual de Serviço Quilombola do Incra, a capacitação para as famílias quilombolas é mais uma oportunidade de conhecer a política do Programa Brasil Quilombola. "Através desses cursos eles têm a oportunidade de se auto-afirmar como remanescentes de quilombo", observou.
Orgulhoso de ter conseguido o reconhecimento de quilombola, o agricultor Manoel Messias gostaria que todos os filhos naturais de Brejão dos Negros pudessem aproveitar o momento. "Acho essa iniciativa muito importante. Desde o início dessa política que a gente vem lutando. É uma coisa que a gente vem batalhando há mais de 20 anos, desde antes de o governador Marcelo Déda foi prefeito de Aracaju", lembrou.
O padre Isaias, ex-pároco de Brejão dos Negros e um dos lutadores para que a comunidade resgatasse sua autoestima, acredita que toda capacitação é bem vinda para que o povo descubra seus direitos e conquiste seu espaço na sociedade. "Essa capacitação empodera as pessoas com conhecimento sobre seus diretos e organização do grupo. Toda capacitação que chega é importante para o fortalecimento da comunidade", avaliou.
Projeto
O projeto foi financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A iniciativa integra uma política de ação afirmativa em benefício da comunidade tradicional de Brejão dos Negros, povoado de Brejo Grande, na região do Baixo São Francisco, com o objetivo de despertar noções de pertencimento e identidade entre seus habitantes.

Conquistas
A comunidade de Brejão dos Negros foi certificada pela Fundação Cultural Palmares como remanescente de quilombo em julho de 2006. Com isso, o Governo Federal e Estadual em parceria com Ministério Público, vêm formulando e implementando políticas para a promoção da igualdade racial através de ações afirmativas para negros no país, voltadas principalmente no setor da educação.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a população declarada negra já supera o número de 80 milhões de brasileiros e, por isso, se faz necessário um conjunto de ações para combater a desigualdade e promover a igualdade racial com a inclusão do negro na cultura, educação, saúde, habitação e emprego. Oficialmente, o governo brasileiro tem 743 comunidades remanescentes de quilombos mapeadas, o que corresponde a cerca de 30 milhões de hectares ocupados e uma população estimada em dois milhões de pessoas.
11/03/2010

REGULARIZAÇÃO DO TERRITÓRIO QUILOMBOLA

Para regularizar os territórios quilombolas, primeiro o Incra elabora o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), que engloba uma série de estudos e documentos que substanciam e justificam a regularização de comunidades remanescentes de quilombos. Esse relatório contém informações cartográficas, etnográficas, fundiárias, socioeconômicas e antropológicas.Concluído e publicado o RTID, o Incra abre um prazo de 90 dias, a contar da notificação individual que o órgão faz, aos não-quilombolas que estejam nas terras delimitadas para as comunidades quilombolas. Eventuais contestações são avaliadas pelo Comitê de Decisão Regional (CDR) instalado na Superintendência Regional do Incra. 
QUILOMBO DE MOCAMBO: PORTA DA FOLHA/SE

Paralelamente ao prazo de 90 dias, o Incra consulta órgãos estaduais e federais, como a Funai, o Instituto Chico Mendes e a Sema. O objetivo é saber se dentro das terras reivindicadas pelos remanescentes de quilombos há áreas sob a responsabilidade desses órgãos. Caso não existam contestações ou assim que estas sejam superadas, a autarquia parte para a publicação da portaria de reconhecimento e delimitação, documento que dá mais segurança jurídica ao processo de regularização das comunidades quilombolas e, na prática, oficializa o direito de uso e permanência desses povos sobre a terra. 

O processo segue com a avaliação de imóveis e benfeitorias de famílias não-quilombolas que estão nas comunidades remanescentes, passíveis de indenização. Segundo Instrução Normativa do Incra, as famílias não-quilombolas poderão ser reassentadas, desde que possuam perfil de clientes da reforma agrária. A etapa final é a titulação das áreas.
fonte:INCRA